quinta-feira, 26 de março de 2009

O último grito






Todos os dias o mesmo ritual,

casa limpa, cheirosa e arrumada

para nada teres a dizer,

sei que olhas e não me vês,

mas criticas o que não faço.

Ajeito o melhor que sei,

mais não posso fazer,

comer na mesa para o meu senhor,

vida que nada sonhei.

Meu coração bate,

não de amor mas de medo,

de me pores na rua,

de não ter um tecto.

Privada de ser eu,

hoje tenho de me superar,

velas cheirosas vou colocar

no nosso quarto e aguardar.

Chegas como todos os dias,

nada me dizes,

nada me fazes.

A nada te cheirou.

Comes,

lavaste,

e dormes.

E a mim resta a última lágrima,

que corre pelo meu rosto.

E apagar-me com a luz das velas.



* Dedicado a todas as mulheres que são apenas criadas daqueles que se dizem seus maridos.(escrito por mim)
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